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21 de junho de 2010

Amalgamadas Almas Nuas


Não nos deixemos sós, os dois, as duas.
Nossas amalgamadas almas nuas,
entrelaçaram nosso ir e vir.
Sem nós, não saberíamos seguir.
Qual alma gêmea, qual, encontraríamos
tão igualzinha a mim, tão igualzinha a ti?

Se juntos habitamos o mesmo templo,
se percorremos sempre a mesma estrada,
Se adormecemos sob os mesmos sonhos
e tatuamos os mesmos lençóis.
Se juntos somos tudo, somos nada
e se ardemos sob tantos sóis.
Se as nossas vidas vivem entrelaçadas,
se já nos entregamos um ao outro,
se não sabemos desatar os nós?

O que fazer então os dois sozinhos,
perdidos animais, fora do ninho,
qual de nós dois encontraria a porta,
se há tanto tempo essa cumplicidade
nos transformou em natureza morta?


Kátia Drummond

13 de abril de 2009

Lucidez profana

Para todos os artistas

Deixe esse homem nascer em paz
pois esse homem traz na natureza
a essência de fluir toda a beleza
que os homens tolos nem percebem mais.

Deixe esse homem crescer em paz
pois esse homem traz na consciência
a lucidez profana da inocência
que a gente grande não conhece mais.

Deixe esse homem viver em paz
pois esse homem traz nas mãos atadas
o mágico poder próprio das fadas
que os nossos filhos já não trazem mais.

Deixe esse homem morrer em paz
pois esse homem traz na luta e na conquista
a alma agonizante do artista
que a sua vida não agüenta mais.



Kátia Drummond 
Do livro "Lucidez Profana".