9 de fevereiro de 2009

Frevo Rasgado


Foi quando topei com você
Que a coisa virou confusão
No salão
Porque parei, procurei
Não encontrei
Nem mais um sinal de emoção
Em seu olhar
Aí eu me desesperei
E a coisa virou confusão
No salão
Porque lembrei
Do seu sorriso aberto
Que era tão perto, que era tão perto
Em um carnaval que passou
Porque lembrei
Que esse frevo rasgado
Foi naquele tempo passado
O frevo que você gostou
E dançou e pulou
Foi quando topei com você
Que a coisa virou confusão
No salão
Porque parei, procurei
Não encontrei
Nem mais um sinal de emoção
Em seu olhar
A coisa virou confusão
Sem briga, sem nada demais
No salão
Porque a bagunça que eu fiz, machucado
Bagunça que eu fiz tão calado
Foi dentro do meu coração
Porque a bagunça que eu fiz, machucado
Bagunça que eu fiz tão calado
Foi dentro do meu coração


Composição: Gilberto Gil/Bruno Ferreira

Voltei Recife


Voltei Recife
Foi a saudade que me trouxe pelo braço
Quero ver novamente vassouras na rua passando
Tomar umas e outras e cair no passo
Cadê toureiros, cadê Bola de Ouro
As Pás e Lenhadores e o Bloco Batutas de São José
Quero sentir a imensidão do frevo
Que entra na cabeça, depois toma o corpo e acaba nos pés
Voltei Recife
Foi a saudade que me trouxe pelo braço
Quero ver novamente vassouras na rua passando
Tomar umas e outras e cair no passo
Cadê toureiros, cadê Bola de Ouro
As Pás e Lenhadores e o Bloco Batutas de São José
Quero sentir a imensidão do frevo
Que entra na cabeça, depois toma o corpo e acaba nos pés


Composição: Luiz Bandeira

Hino do Elefante de Olinda


Ao som dos clarins de momo
O povo aclama com todo andor
O elefante exaltando as suas tradições
E também seu esplendor

Olinda, este meu canto
Foi inspirado em teu louvor
entre confetes, serpentinas, venho te oferecer
Com alegria o meu amor

Olinda, quero cantar
À ti, esta canção
Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração
De amor a sonhar, minha Olinda sem igual 
Salve o teu carnaval
  

Composição: (Clídio Nigro / Cloves Vieira)

Dona Doida


Uma vez, quando eu era menina, choveu grosso
com trovoadas e clarões, exatamente como chove agora.
Quando se pôde abrir as janelas,
as poças tremiam com os últimos pingos.
Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema,
decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos.
Fui buscar os chuchus e estou voltando agora,
trinta anos depois. Não encontrei minha mãe.
A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha,
com sombrinha infantil e coxas à mostra.
Meus filhos me repudiaram envergonhados,
meu marido ficou triste até a morte,  
eu fiquei doida no encalço. 
Só melhoro quando chove.


Adélia Prado
O texto acima foi extraído do livro "Poesia Reunida", Editora Siciliano - 1991, São Paulo, página 108.